Curta (2010)

A série Curta trata de incongruência documental, fotodegradação e de iminentes quedas/ transformações em práticas sociais contemporâneas. Os processos fotoquímicos em haletos de prata e outros sais que ainda praticamos hoje trazem uma rotina química em soluções líquidas de reveladores, interruptores, branqueadores e fixadores (com viragens metálicas opcionais). Uma lavagem final deixa o papel impresso sem resíduos. 

Nego o domínio da ferramenta e pulo as etapas da fixação e lavagem da imagem. Quando expostas à luz em altas cargas de raios ultra-violeta (preferencialmente o sol, mas lâmpadas emissoras especiais também podem ser usadas), as fotos continuam a reagir quimicamente, fazendo o papel oxidar e apresentar ao final de um tempo variável uma perda total da imagem (fato que reporta ao futuro de todas as imagens). Estendo simbolicamente essa degradação aos conceitos impressos nessas superfícies. São dinâmicas sociais e existenciais que vejo em franca obsolescência, como a extrema confiança na memória cibernética; os direcionamentos dados por leis que regulam o direito do autor em diferentes momentos da história; conceito de expropriação em territórios especulados sendo aplicados enquanto infringem direitos humanos; entre outras questões.

O papel preto é guardado, como um “isso não foi”.

Fotografias em gelatina e prata não fixada
edições únicas
2010-2014

 

Vista #1

Sem Título #1.1 (Memória Cibernética)
150x127 cm
2010

Sem Título #2.1 (Tempos Autorais)
127x180 cm
2010

Sem Título #3.1 (Territórios Especulados – Porto Maravilha)
96 x 96 cm
2012